MARIOLOGIA - O HINO AKÁTHISTOS
O Akáthistos é um grande hino litúrgico da Igreja grega antiga, uma longa composição poética organicamente estudada para celebrar o mistério da Mãe de Deus. Trata-se de um hino que deve ser todo cantado ou ouvido de pé, como o Evangelho, inclusive com o sinal exterior de reverente atenção.
 Este hino não foi tirado de arquivos nem jamais sepultado em bibliotecas: há quinze séculos, o Akáthistos vive no coração de incontáveis gerações, que nele encontram alimento e verdadeira devoção a Virgem. Sem qualquer dúvida é o mais belo hino mariano da Antiguidade e de todas as épocas, um monumento de altíssimo valor, uma obra prima litúrgica de importância eclesial.
Efetivamente, desde princípios do século VI a Igreja bizantina o incluiu em sua liturgia como a expressão mais alta do culto à Santíssima Virgem, e o canta em muitas ocasiões, de modo especialmente solene no sábado.
 O Hino Akathistos é comum a todos os cristãos de rito bizantino, ortodoxos e católicos. Constitui pois, uma antiga e solene ponte para a plena comunhão entre a Igreja do Oriente e do Ocidente.


I ESTAÇÃO:   «O Anúncio do Anjo Gabriel»



1. O mais sublime dos anjos
foi enviado dos céus
para dizer «Ave» à Mãe de Deus.
Vendo-te, Senhor, feito homem
à sua angélica saudação,
deteve-se extasiado diante da Virgem,
aclamando-a assim:
Ave, por ti resplandece a alegria!
Ave, por ti a maldição toda cessa!
Ave, reergues o Adão decaído!
Ave, tu estancas as lágrimas de Eva!
Ave, mistério que excede o intelecto humano!
Ave, insondável abismo aos olhares dos anjos!
Ave, porque és o trono do Rei soberano!
Ave, porque tu governas quem tudo governa!
Ave, ó estrela que o sol anuncias!
Ave, em teu seio é que Deus se fez carne!
Ave, por quem a criação se renova!
Ave, o Criador fez-se em ti criancinha!
Ave, Virgem e esposa!

2. Sabendo Maria de ser a Deus consagrada,

assim a Gabriel dizia:
«A tua mensagem é misteriosa aos meus ouvidos
e incompreensível ressoa à minha alma.
De uma Virgem um parto tu anuncias»,
exclamando: Aleluia!
«Maria e o Anúncio do Anjo»
3. Desejava a Virgem entender o mistério,
e ao divino mensageiro pergunta:
«Poderá uma virgem dar à luz um menino?
– Dize-me!». Com reverência, o Anjo respondia,
cantando assim:
Ave, mistério, vontade inefável!
Ave, ó fé maturada em silêncio!
Ave, prelúdio dos faustos de Cristo!
Ave, sumário do santo Evangelho!
Ave, ó escada sublime por quem Deus nos veio!
Ave, ó ponte que os homens ao céu encaminha!
Ave, dos anjos tu és maravilha gloriosa!
Ave, do inferno derrota total contundente!
Ave, que a Luz por mistério geraste!
Ave, que o «modo» a ninguém ensinaste!
Ave, transcendes a ciência dos sábios!
Ave, iluminas a todos os crentes!
Ave, Virgem e esposa!


4. A virtude do Altíssimo

a cobriu com sua sombra
e tornou Mãe a Virgem sem núpcias.
O seio por Deus fecundado
tornou-se campo abundante
para todos aqueles que buscam a salvação
e assim aclamam: Aleluia!

«Visita de Maria a sua Prima Santa Isabel»
5. Tendo em seu seio o Senhor,
solícita, Maria visitava sua prima Isabel.
O menino no ventre materno,
ouvindo a saudação, exultou,
e, saltando de alegria,
à Mãe de Deus aclamava:
Ave, ó ramo de planta incorrupta!
Ave, do fruto imortal, colheita!
Ave, cultora do Mestre dos homens!
Ave, ó Mãe de quem deu-nos a vida!
Ave, ó campo veraz que produz muitos frutos!
Ave, ó mesa bem farta de perdões abundantes!
Ave, tu fazes florir as planícies celestes!
Ave, a nós todos preparas um porto seguro!
Ave, ó incenso das preces aceitas!
Ave, purificação do universo!
Ave, bondade de Deus pelos homens!
Ave, ante Deus, dos mortais és audácia!
Ave, Virgem e esposa!


6. Com o coração tumultuando e cheio de dúvidas,

o prudente José se debatia.
Sabe que és Virgem intacta
e suspeita secretos esponsais.
Conhecendo-te Mãe pela ação do Espírito Santo,
exclama: Aleluia!


II ESTAÇÃO: «O Anúncio Alegre aos Pastores»
7. Os pastores ouviram os coros dos anjos
que cantavam ao Senhor feito homem.
Correndo, vão ver o Pastor.
Contemplam o Cordeiro inocente
alimentando-se do seio materno
e à Virgem entoam um canto:
Ave, ó mãe do Pastor e Cordeiro!
Ave, és aprisco da Mística Ovelha!
Ave, preservas do oculto inimigo!
Ave, ó chave das portas celestes!
Ave, por ti congratula-se o céu com a terra!
Ave, por ti, terra e céu, em uníssono cantam!
Ave, do apóstolo, boca jamais silenciosa!
Ave, invencível coragem dos mártires todos!
Ave, da fé inabalável baluarte!
Ave, da graça, fulgente estandarte!
Ave, por ti foi o inferno espoliado!
Ave, nos tens revestido de glória!
Ave, Virgem e esposa!

Antífona IV
8.Observando a estrela que a Deus os guiava,
os magos seguiram seu fulgor.
Era lâmpada segura em seu caminho,
que os conduziu ao Rei poderoso.
Chegados ao Deus inatingível,
o aclamam felizes: Aleluia!
«A Adoração dos Magos»
9. Contemplaram os magos, no colo materno,
aquele que plasmou o homem em suas mãos.
Compreenderam ser ele o seu Senhor,
escondido sob o aspecto de servo.
Solícitos, oferecem-lhe seus dons
e à Mãe aclamam:
Ave, que a estrela perene geraste!
Ave, és aurora do místico dia!
Ave, que a forja do engano extinguistes!
Ave, o mistério de Deus iluminas!
Ave, o tirano inimigo dos homens destronas!
Ave, que o Cristo, mostraste Senhor nosso amigo!
Ave, resgatas do culto selvagem aos deuses!
Ave, teus filhos libertas do ataque do mal!
Ave, que o culto do fogo extinguistes!
Ave, que aplacas o fogo dos vícios!
Ave, que educas o crente a ser casto!
Ave, alegria de todos os povos!
Ave, Virgem e esposa!
Antífona V
10. Mensageiros de Deus
tornaram-se os magos
de volta para suas terras.
Cumpriu-se o antigo oráculo
quando a todos falavam de Cristo,
sem pensar no estulto Herodes,
incapaz de cantar: Aleluia!
«Fuga para o Egito»


11. O Egito tu iluminas
com o resplendor da verdade,
afugentando as trevas do erro.

À tua passagem os ídolos caíam
não podendo te suportar, Senhor.
E os homens, libertados do engano,
à Virgem aclamam:
Ave, reergues o gênero humano!
Ave, ruína total dos demônios!
Ave, esmagaste a potência enganosa!
Ave, que o logro dos ídolos mostras!
Ave, ó mar que afogou o faraó demoníaco!
Ave, rochedo a saciar os sedentos de vida!
Ave, coluna de fogo a guiar os errantes!
Ave, és abrigo do mundo, mais amplo que as nuvens!
Ave, o maná verdadeiro nos deste!
Ave, nos serves delícias sagradas!
Ave, ó terra por Deus prometida!
Ave, ó fonte do mel e do leite!
Ave, Virgem e esposa!
Antífona VI
12. Simeão, o velho,
já no fim dos seus dias,
estava para deixar a sombra deste mundo.
A ele foste apresentado como menino,
mas, vendo-te qual Deus poderoso,
admirou o arcano desígnio e exclamava: Aleluia!

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