O CRUCIFIXO
“A cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, é poder de Deus” (1 Cor. 1:18) 
Não posso imaginar um lar realmente cristão, onde não se encontre, em um lugar de honra, a lembrança perpétua da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: o crucifixo.
 Muitas vezes, os esposos constatarão a verdade desta máxima: "A felicidade conjugal se faz com grandes coisas e se desfaz com pequenas". Doenças e desgraças podem provar a família, privações e desentendimentos podem surgir entre milhões de esposos, e quem os ajudará senão a Cruz de Cristo?
Muitos esposos verificarão ser o casamento também uma cruz. Mas que consolo, se podem olhar o crucifixo e se lembrar das sábias palavras da Imperatriz Maria Teresa à sua filha Maria Cristina: "Não negligencieis nunca vossos deveres de religião; no matrimônio tem-se necessidade, mais que em qualquer outro lugar, da oração e do socorro de Deus".
 Renúncia, simplicidade, saber contentar-se com o pouco ... qual a esposa que disto é capaz?
Só aquela cuja alma for animada pelo amor de Cristo que Se sacrificou. A que nada sabe da pobreza de Cristo será uma esbanjadora, terá pretensões exageradas, e cavará assim a ruína da felicidade familiar.
E para que estas mães de família sejam realmente destas mulheres fortes, ser-lhes-ia útil examinar um pouco sob este ponto de visto o culto de Maria. O culto da Santa Virgem é uma das mais poéticas e ardorosas manifestações da vida religiosa católica. Mas, infelizmente, muitas moças e mulheres contemplam a Virgem sob um só aspecto: com um belo vestido azul e branco, auréola dourada e olhos levantados para o céu.
 A imagem completa de Maria é a que caminha através das planícies e montanhas, sem conhecer a fadiga, unicamente para vir ajudar Santa Isabel nos dias que seguiram ao nascimento de São João Batista. A esta imagem pertence Maria, semblante sorridente, sofrendo ao lado de seu Filho o frio chão do estábulo de Belém e as privações de fuga para o Egito. A esta imagem pertence ainda Maria, alma heróica postada ao pé da Cruz onde espera Seu Filho.
Eis o que ensina, para um matrimônio feliz, este objeto indispensável, o crucifixo.
“Os judeus pedem sinais, e os gregos buscam sabedoria, nós porém pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos, mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, é Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.”
A cruz era símbolo de escândalo e maldição. Para o judeu, seria uma total incoerência e uma completa blasfêmia aceitar que o Messias se submeteria a morrer em uma cruz.
A crucificação já existia antes do poderoso Império Romano. Tem a sua origem na Pérsia.
No império romano, em principio era reservado as classes baixas, os escravos e os estrangeiros.
 Essa era a imagem que a cruz de Cristo causava a qualquer judeu que ainda não havia sido alcançado pela graça de Jesus.
Ele era Santo e não precisava morrer, mas o fez porque nos amou!  A cruz tem sido muito rejeitada nos nossos dias. Tem sido pouco pregada nos púlpitos das igrejas, está meio fora de moda...
As igrejas têm trocado a cruz por outros símbolos menos melancólicos e com significados mais alegres. A cruz tem sido trocada pela estrela de Davi, pelo candelabro e alguns outros símbolos que chegam mais próximos do esoterismo que do cristianismo. Os cânticos que fazem mais sucesso são aqueles que nos induzem ao êxtase, com palavras quase mágicas, mas com conteúdo oco, longe de provocar mudança. E por que essa inversão de valores? Porque as igrejas querem ver seus auditórios cheios, não se importando realmente por qual motivo seus membros estão ali.   "Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim..." (Gl 2.19).
A cruz incomoda porque fere o ego e a independência do homem. Coloca o homem em frente ao espelho e revela seu pecado, sua sujeira.
Como pregar a cruz em um mundo onde as pessoas correm como loucas atrás de seus objetivos mesquinhos e egoístas? Como pregar a cruz a um mundo onde as pessoas buscam prazer a qualquer preço? Como pregar a cruz a um mundo corrompido pela ganância e pelo apego aos bens materiais?
Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem" (Mt 24,30). A cruz é o símbolo do cristão, que nos ensina qual é nossa autêntica vocação como seres humanos. Os santos amaram a cruz e foram santificados também por meio dela, a exemplo de Santa Rita de Cássia que recebeu do crucificado a chaga na testa que durante toda sua vida a uniu aos sofrimentos de Cristo.
E por incrível que pareça, não é só o mundo que rejeita a cruz de Cristo, mas a igreja também já foi afetada por esse mal. Como é difícil pregar sobre a cruz para uma igreja que precisa andar sobre as águas para crer que Jesus é Deus. Como é difícil pregar sobre a cruz para uma igreja que crê que nenhum mal nos sobrevirá, que utiliza texto por pretexto, como uma forma de rejeição do sofrimento e da dor. Como é difícil falar em cruz, sofrimento, dor, sujeição e arrependimento, a uma igreja que somente busca conforto, prosperidade e bens materiais.
Algumas pessoas, para nos confundir, perguntam-nos: Você adoraria a faca com que mataram o seu pai?

É obvio que não!
1º. Porque meu pai não tem poder para converter um símbolo de derrota em símbolo de vitória; mas Cristo sim tem poder. Ou você não crê no poder do sangue de Cristo? Se a terra que pisou Jesus é Terra Santa, a cruz banhada com o sangue de Cristo, com mais razão, é a Santa Cruz.
2º. Não foi a cruz a que matou Jesus mas os nossos pecados. "Ele foi trespassado por causa das nossas transgressões, esmagado em virtude de nossas iniqüidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz caiu sobre Ele, sim, por suas feridas fomos curados". (Is 53, 5). Como pode ser a cruz um sinal maldito, se nos cura e nos devolve a paz?
3º. A história de Jesus não termina na morte. Quando recordamos a cruz de Cristo, nossa fé e esperança se centram no ressuscitado. Por isso para São Paulo a cruz era motivo de glória (Gl 6, 14).
Ao ver o crucificado, o centurião pagão acreditou e João, o apóstolo que presenciou o fato, converteu-se em testemunha. Leia: João 19, 35-37.

Cristo crucificado e Ressuscitado quebrou o poder do maligno e libertou o mundo pela Cruz,

 logo a Cruz é a chave da Libertação do homem, chave esta que nos abre o Céu. “Porque é bendito o madeiro pelo qual se opera a justiça” (Sb 14,7)

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