DIVINO MENINO JESUS DE PRAGA
"Quanto mais me honrardes, mais eu vos favorecerei! "
Esta devoção, embora já muito conhecida, precisa de ser explicada para que o povo todo possa apreciar a sua origem, os seus fundamentos teológicos, a sua importância soberana e a sua utilidade actual.A devoção ao Menino Jesus data de Belém; passou pelos anjos, por Maria e José, pelos pastores e Reis Magos e é continuada pelos santos através dos séculos, seguindo ainda o seu curso sempre ascendente. Tomou uma forma concreta e universal sob o título do Menino Jesus de Praga. E sob este título, essa devoção foi eminentemente carmelitana em sua origem, até que se tornou tesouro universal do cristianismo. É na verdade uma flor delicada e divina que germinou e floriu no jardim do Carmelo e que, desabrochando sob o calor vivificador da Chama Divina, despede pelo mundo inteiro o seu consolador e suave aroma.
Em 1620, vivia em Praga a piedosa princesa Policena Lobkowitz. Sofrendo na alma as imensas necessidades dos Carmelitas, presenteou-lhes com uma pequena estátua de cera, de 48 cm., que representava um formoso Menino Deus, de pé, com a mão direita erguida em atitude de bênção. A mão esquerda segurava um globo dourado. Seu rosto era muito amável e gracioso. A túnica e o manto tinham sido confeccionados pela própria princesa. Esta, ao dar a estátua aos religiosos carmelitas, disse-lhes: "Honrai esta imagem do Menino Deus e nada vos faltará". A imagem foi exposta à veneração dos religiosos no coro-oratório, onde tinham lugar os actos piedosos da comunidade.

Em 1631, os protestantes voltaram a ocupar a cidade de Praga; saquearam igrejas e conventos espalhando por toda a parte o incêndio e a pilhagem. A imagem do Menino Jesus não escapou à fúria devastadora dos inimigos do catolicismo: quebraram-lhe as mãos e atiraram-na para um canto. Assim, a veneranda imagem ficaria sepultada debaixo dos escombros, e sem os seus fiéis devotos, pois os Carmelitas viram-se obrigados a fugir para não perecerem em tamanha hecatombe. O terror, a miséria e a desolação reinavam na cidade de Praga e nos seus habitantes, ameaçados de morte pelos ferozes invasores.
Foi precária a paz de 1635 que trouxe os Carmelitas ao seu antigo convento, quase todo ele em ruínas. Por falta de meios e de pessoal, foram demorados os trabalhos de restauração, empreendidos por sua vez num ambiente de insegurança e timidez, provenientes da presença dos protestantes.

No ano seguinte, com a retirada dos inimigos de Praga, os religiosos puderam retornar ao seu convento. Mas ninguém se lembrou da preciosa estátua. Por isto, sem dúvida, o mosteiro viu-se reduzido à miséria, como o resto da população. Os religiosos careciam de alimentos e dos recursos necessários para a restauração de sua casa.
Em 1637, após sete anos de desolação, o Padre Cirilo retornou a Praga. A Boêmia, cercada de inimigos por todas os lados, corria o risco de sucumbir e, quem sabe, até de perder o dom inestimável da fé. Em meio a tais agruras, enquanto o Padre Guardião exortava aos religiosos para que insistissem junto a Deus para colocar fim a tantos males, o Padre Cirilo aproveita para falar-lhe da inesquecível imagem do Divino Menino. Obtém licença para buscá-la e a encontra, finalmente, entre os escombros detrás do altar. Limpou-a e a cobriu de beijos e lágrimas. Estando ainda intacto o rosto da imagem, ele a expôs no coro para que os religiosos a venerassem. Estes, confiantes em sua proteção, se ajoelharam diante do Divino Infante, implorando para que fosse seu refúgio, fortaleza e amparo em todos os sentidos.

A partir do momento em que a imagem foi colocada em seu lugar de honra, o inimigo bateu em retirada e o convento foi reabastecido de tudo que os religiosos necessitavam.
Certo dia, o Pe. Cirilo orava diante da imagem, quando ouviu claramente estas palavras: "Tende piedade de mim e eu terei piedade de Vós. Devolvei minhas mãos e eu vos devolverei a paz. Quanto mais me honrardes, tanto mais vos abençoarei".
Os inúmeros benefícios alcançados por intermédio do milagroso Menino multiplicavam dia a dia o número de seus devotos. Por isto os carmelitas desejavam construir-lhe uma capela pública, considerando que o lugar onde deveriam levantá-la já fora indicado pela Santíssima Virgem ao Pe. Cirilo.
Em 1655, o Conde Martinitz, Grão Marquês da Boêmia, brindou a imagem com uma preciosa coroa de ouro cravejada de pérolas e diamantes. O Reverendo D. José de Corte colocou-a no Menino em uma solene cerimônia de coroação. A devoção ao Menino Jesus de Praga foi acolhida com amor em todas as nações. Mosteiros, colégios, escolas e famílias têm-lhe dedicado magníficos tronos. Numerosas paróquias possuem a estátua real e, em todos os lugares em que o honram, o Menino Jesus de Praga derrama inestimáveis favores sobre seus devotos.

A festa do Menino Jesus de Praga se celebra no primeiro Domingo do mês de junho.

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